segunda-feira, 22 de abril de 2013

No Começo, Era Tudo Brincadeira...


No começo, foi tudo uma brincadeira. Brincamos de gostar. Brincamos de sonhar. Brincamos com o fato de um dia ficarmos juntos. No começo pensávamos que um dia, talvez quem sabe?, poderia rolar. Brincamos com os outros sobre nós, brincamos sobre nós conosco mesmos.
Mas de repente, já não era mais brincadeira. De repente nos olhamos e percebemos que aquilo era muito mais do que um joguinho de peças pequenas, era algo grande, um quebra-cabeças de 500 partes, as quais teríamos que montar juntos (ou separados). Depois então uniríamos nossas metades e enfim conseguiríamos visualizar a magnitude do que concretizamos.
De um olhar (ou vários deles) percebemos que aquele sentimento foi crescendo e crescendo, até que não estávamos mais entendendo o que era. Nosso orgulho não permitia que admitíssemos a nós mesmos nem aos outros, o que se passava em nossas vidas. Esse mesmo orgulho que nos segurou um dia, agora estava desmoronando sobre nossas cabeças, deixando-nos vulneráveis, sem saída.
Tudo virou de cabeça pra baixo, como numa montanha-russa, cheia de altos e baixos e de voltas e mais voltas. Era tudo confuso. Nós éramos confusos. As coisas foram acontecendo tão rapidamente que quando demos por nós, estávamos perdidos. Perdidos num turbilhão de sensações, de emoções, de sentimentos.
Já não era mais brincadeira. Era real. Era verdadeiro. E isso nos incomodava imensamente. Tínhamos uma vida para viver, um mundo todo lá fora, problemas para serem resolvidos e nós aqui, estranhos, errantes.
Uma vastidão de pensamentos inundou nossas mentes. Sentimentos estranhos começaram a surgir do nada e quando entendemos o que sucederia, paramos. Paramos, pois isso deixara de ser apenas uma brincadeira e se tornara algo fora de nosso controle. Não queríamos admitir que algo mudara. Não, isso não! Absolutamente! Como pode? Está fora de contexto!
Mas será que está mesmo?
E se nos deixarmos levar? E se nós tentássemos realmente viver e parássemos de brincar como duas crianças que se encontraram e estão se conhecendo? Não seria melhor aceitar que já somos bem crescidinhos e que temos capacidade de adquirir responsabilidades? Que nada é por acaso e que tudo tem um propósito, até mesmo uma brincadeira?
Você sabe o que sente, só não admite a si mesmo. Sabemos o que queremos. Então, quer continuar brincando de “faz de conta” ou vai arriscar a realidade?