No começo, foi tudo uma brincadeira. Brincamos de gostar.
Brincamos de sonhar. Brincamos com o fato de um dia ficarmos juntos. No começo
pensávamos que um dia, talvez quem sabe?, poderia rolar. Brincamos com os
outros sobre nós, brincamos sobre nós conosco mesmos.
Mas de repente, já não era mais brincadeira. De repente nos
olhamos e percebemos que aquilo era muito mais do que um joguinho de peças
pequenas, era algo grande, um quebra-cabeças de 500 partes, as quais teríamos
que montar juntos (ou separados). Depois então uniríamos nossas metades e enfim
conseguiríamos visualizar a magnitude do que concretizamos.
De um olhar (ou vários deles) percebemos que aquele
sentimento foi crescendo e crescendo, até que não estávamos mais entendendo o
que era. Nosso orgulho não permitia que admitíssemos a nós mesmos nem aos
outros, o que se passava em nossas vidas. Esse mesmo orgulho que nos segurou um
dia, agora estava desmoronando sobre nossas cabeças, deixando-nos vulneráveis,
sem saída.
Tudo virou de cabeça pra baixo, como numa montanha-russa,
cheia de altos e baixos e de voltas e mais voltas. Era tudo confuso. Nós éramos
confusos. As coisas foram acontecendo tão rapidamente que quando demos por nós,
estávamos perdidos. Perdidos num turbilhão de sensações, de emoções, de
sentimentos.
Já não era mais brincadeira. Era real. Era verdadeiro. E
isso nos incomodava imensamente. Tínhamos uma vida para viver, um mundo todo lá
fora, problemas para serem resolvidos e nós aqui, estranhos, errantes.
Uma vastidão de pensamentos inundou nossas mentes.
Sentimentos estranhos começaram a surgir do nada e quando entendemos o que
sucederia, paramos. Paramos, pois isso deixara de ser apenas uma brincadeira e
se tornara algo fora de nosso controle. Não queríamos admitir que algo mudara.
Não, isso não! Absolutamente! Como pode? Está fora de contexto!
Mas será que está mesmo?
E se nos deixarmos levar? E se nós tentássemos realmente
viver e parássemos de brincar como duas crianças que se encontraram e estão se
conhecendo? Não seria melhor aceitar que já somos bem crescidinhos e que temos
capacidade de adquirir responsabilidades? Que nada é por acaso e que tudo tem
um propósito, até mesmo uma brincadeira?
Você sabe o que sente, só não admite a si mesmo. Sabemos o
que queremos. Então, quer continuar brincando de “faz de conta” ou vai arriscar
a realidade?